Após o confete, é hora da reflexão.
Acabado o grande festival carnavalesco, apresentados os temas e sambas, nomeados os vencedores, é hora de analisar criticamente alguns acontecidos. Sem dúvida 2011 entra para à história marcado pelo grande incêndio na Cidade do Samba. O fato inevitavelmente impactou o resultado geral, uma vez que um quarto das escolas do grupo especial não competiram. É claro que os dirigentes e responsáveis pelas escolas sentarão juntos às autoridades municipais para reconstruir as instalações dos barracões e garantir novamente a segurança do trabalho de todos os profissionais. É fundamental que esse evento possa abrir os olhos de todos para necessidade de calcular todos os possíveis riscos de se concentrar tanto material inflamável num mesmo local. É fato que o fogo foi rápido demais. Mas será que parte desta responsabilidade não pertence aos idealizadores do complexo? Será que o sistema de incêndio foi devidamente elaborado? Esperamos que essas respostas apareçam, pelo bem da festa, mas , sobretudo, pela segurança das pessoas. Parabéns as comunidades da Grande Rio, Ilha e Portela, que conseguiram reerguer com dignidade suas bandeiras apesar de tudo. Parabéns a corrente que se formou de solidariedade em torno da ajuda a essas agremiações. A Família do samba ganha com isso.
Nas ruas de todo Brasil o carnaval e rua toma conta das cidades. No Rio a alegria explode! Bexigas descontroladas lotaram delegacias urinando nas calçadas. Coisa feia...
Na passarela, novos e antigos reis e rainhas surgiram para a grande festa. No grupo de acesso, debaixo de muita chuva, as agremiações fizeram bonito na noite de sábado. Fomos contemplados com momentos maravilhosos de criatividade e beleza. O resultado ainda será muito questionado, mas isso é parte da magia do carnaval. Não tenho a intenção de fazer juízo de valor aqui. Cada um tem seu julgamento, mas o que vale é sempre o dos jurados. Apenas constatar o fato de que a avenida pulsou forte, e gingantes se confrontaram para voltar à elite do samba, honra que apenas a Renascer de Jacarepaguá poderá desfrutar em 2012. Tristeza em Niterói: Viradouro e Cubango estavam especialmente lindas. Fato confirmado pela imprensa e pelos meus próprio olhos na arquibancada da Sapucaí.
No grupo especial, vendaval de emoções. ” Muitas emoções”, como diria o rei Roberto Carlos. A vitória da Beija Flor talvez não seja o maior motivo de insatisfação das demais agremiações, mas a diferença grande de mais de um ponto da segunda colocada Unidos da Tijuca. Numa disputa decidida em décimos, um ponto de diferença já é um abismo. Não retiro em absoluto o mérito da vitória da escola Nilopolitana. Ela fez um excepcional trabalho. A Tijuca de Paulo Barros sempre extremamente criativa e inovadora. Os que defendem seu estilo aprovaram o desfile, mas há quem ache que o enredo pecou em determinados momentos. Muito bom ver a beleza do trabalho de Rosa Magalhães revigorado nos fios de cabelo da Vila Isabel, que promete permanecer com a vitoriosa carnavalesca. Um bonito casamento de talentos na avenida.
Nota lamentável pelo Salgueiro. Os 10 minutos de atraso retiram o sonho da agremiação de emplacar o título. Pude ver de perto o trabalho de Renato Lage e sua esposa. Impressionante o grau de detalhes das alegorias. Se não tivessem ocorrido tantos problemas com as acoplagens de tantos fragmentos das alegorias na hora de entrar no sambódromo, certamente o resultado do carnaval seria diferente. A perda de tempo desconcertou a escola. Certamente esse evento vai originar boas reuniões na equipe da escola tijucana objetivando evitar que algo assim ocorra novamente.
E o que dizer da nota 9.0 a bateria da Mangueira? Realmente difícil de entender.
Em São Paulo “A Música Venceu”. A Vai -Vai fez um incrível desfile regado de emoção e arrebatou o público e a platéia. A história de superação do maestro João Carlos Martins foi retratada na avenida. Bonito ver a emoção do regente diante do maior espetáculo da terra. Parabéns ao Alexandre Louzada que fez a “ponte aérea” levantando o caneco nas duas metrópoles. Em 2012 teremos todas as atenções voltadas para o confronto carnavalesco de Gaviões da Fiel, Mancha Verde e a recém chegada Dragões da Real. Veremos pela primeira vez as 3 grandes torcidas de futebol se desafiarem no palco do samba.
Deixo cada um refletindo sobre todos esses ocorridos. 2011 foi realmente repleto de emoções fortes. A dança das cadeiras de 2012 já começou. Esperamos que todos os problemas ocorridos, de todas as ordens de grandeza, sirvam como aprendizado coletivo. A cultura do carnaval deve sempre prevalecer. No contexto atual, isso também passa por um gasto maior de tempo, energia e recursos em planejamento.
Jorge Luiz Silveira
Carnavalesco da Mocidade Imperiana


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