terça-feira, 3 de maio de 2011

Recordar é Viver! - Campeoníssima EVA - 2010





 ENREDO: O MITO DO GUARANÁ NA TRADIÇÃO SATERÊ-MAWÉ

Em 2010, a Escola Virtual da Amazônia busca na tradição do povo Saterê-Mawé a inspiração para o seu carnaval. Contaremos a história da origem do guaraná descrita pela literatura oral Mawé e pelo Sehaypóri, uma coleção dos mitos e lendas originários do povo, também gravados no Puratig, o remo sagrado.
Conta a tradição que havia bichos, Espíritos e Encantados povoando a terra e entre eles três irmãos semi-humanos. Anhyã-muasawê era uma jovem solteira, conhecedora dos segredos das plantas medicinais e dona do Nusokén, a região sagrada onde cresciam as melhores espécies vegetais, como a castanheira. Os seus dois irmãos eram Yakumã e Ukumã’wató.
A beleza de Anhyã-muasawê despertava o interesse de todos os animais, o que era motivo de ciúmes de seus dois irmãos. Certo dia uma cobrinha macho, encantada pela bela jovem espalhou um perfume pela mata atraindo-a. Então, Anhyã-muasawê foi tocada na ponta do pé pela cobrinha-macho, o que foi o suficiente para que ela engravidasse. Os irmãos da moça ficaram furiosos por ela ter saído sozinha pela mata, despedaçaram a cobrinha e expulsaram a moça de seu paraíso, proibindo-a de lá voltar.
Kahu’ê, o filho de Anhyã-muasawê , cresceu e se tornou um kurumim forte e bonito. O menino desejava comer as castanhas do Nusokén e as frutas que os seus tios comiam. Entretanto, os dois colocaram a Cotia e a Paca para tomar conta do local. O menino insistiu tanto que a mãe resolveu levá-lo para comer a castanha, porém foram descobertos pela cotia que viu os ouriços partidos e o resto da fogueira que Anhyã-muasawê e o filho deixaram. A Cotia correu, então, para contar aos irmãos da moça que ela havia voltado ao Nusoké, eles mandara-na vigiar a castanheira e matar quem se aproximasse dela.
Depois de provar do fruto da castanheira, o kurumim sentiu mais desejo de comer a castanha e voltou ao local subindo na árvore. Os vigias do Nusokén armaram uma armadilha para matá-lo colocando uma corda no toco da árvore. Quando o menino desceu, eles jogaram a corda no seu pescoço e ele teve a cabeça decepada.
Anhyã-muasawê sentiu falta do filho e resolveu procurá-lo; ouvindo seus gritos pelo caminho, a mãe se desesperou, porém quando o encontrou ele já fora degolado. Embora chorando e gritando sobre o corpo do filho, Anhyã-muasawê soube que a morte do seu kurumim se tornaria em uma benção e que os seus irmãos não iriam acabar com a sua existência.
Assim, ela tomou o corpo do filho nos braços e voou para as proximidades do rio Maráw. Arrancou o olho esquerdo do menino e plantou em terras amarelas, onde nasceu uma planta que não prestava: o Waraná-Hôp, o falso guaraná. Contudo, quando ela plantou o olho direito em terras pretas nasceu o Waraná-Sése, o verdadeiro guaraná.
O corpo do menino também foi enterrado num ritual de magia celebrado por sua mãe. Vários animais nasceram da sua sepultura e a cada um foi dado um nome e designados os afazeres, até que, passados alguns dias, dali saiu uma criança, o primeiro Mawé. É por isso que os Saterê-Mawé são os filhos do guaraná.

Fontes Bibliográficas

Satere.com - Maués ao alcance do Mundo. http://www.satere.com (acesso em 25 de Janeiro de 2010).
Yamã, Yaguarê. Sehaypori: o livro sagrado do povo Saterê-Mawé. São Paulo: Petrópolis, 2007.




Compositores: Ailson Picanço e Thiago do Porto.

Saterê-Mawé, Saterê-Mawé
São os lendários filhos do guaraná
A EVA é Rainha da Mata
Salve a tradição, saber popular

Conta a lenda
Que havia bichos, seres encantados
Dentre eles dois irmãos
E uma cunhã com um destino consagrado
Uma jovem solteira,
Colhedora das plantas medicinais
Cuja beleza inebriante deslumbrava os animais
Foi levada ao coração da mata e assim engravidou
Quando expulsa da terra sagrada
Ao fruto de seu ventre se entregou

O menino cresceu, se tornou
Um forte e valente Kurumim
Mas uma emboscada… crueldade sem fim
A sua vida retirou

Oh lua desce do céu, vem consolar
Aquela mãe desesperada
Às margens de um ribeirão
Da terra negra a vida brotou
E lá surgiu o guaraná
O fruto da esperança
Fincou o berço de uma civilização
Nascida sob as bençãos da criança





Entrevistados: Naiara Duarte e Rafael Gonçalves
Cargo na época: Presidente e carnavalesco

Como você avalia o desfile de sua escola de forma geral? Ficou como vocês planejaram, ou algo saiu errado que poderia ter ficar melhor?
Acho que ficou bom de uma forma geral, ficou tudo como planejado.

O que achou da avaliação dos Jurados do Desfile? Alguma nota você considera que foi abaixo do esperado?
As notas foram justas, nós sabíamos que o samba podia não render muito no desfile, reflexo disso foi a nota 9,0 que recebemos, mas a nota foi justa.

Para muitos, a escola ganhou com certa facilidade, durante o desfile o pessoal do chat já esboçou isso com “gritos” de é campeão, após assistirem todos os desfiles, esse pensamento de campeão, ficou mais evidente?

Nós agradecemos aos gritos de é campeã, lógico que como todas as escolas fizemos o desfile com o intuito de sermos campeões e após os desfiles, não que ficou mais evidente, mas sim passou mais confiança de que estaríamos mais próximos ao titulo, porém assim como nossa escola, tinham outras escolas que também fizeram um trabalho legal, ficando mais acirrada a competição entre nós e outras 3.

Caso a escola não fosse campeã, qual outra você acha que ocuparia bem a posição?
Ou a Barra Funda ou a Mocidade Leopoldense

A EVA foi uma escola que trabalhou em “off”, diferente de algumas escolas como a Mocidade Leopoldense, em que a grande maioria já conhecia a forma de trabalho da escola. Você acha que esse fator favoreceu a escola?
Acredito que favoreceu sim

Qual foi a maior dificuldade enfrentada?
A Maior dificuldade que a gente enfrentou e enfrenta é o fato das pessoas acharem que membros da Acadêmicos do Setor 1 interfere na EVA, pois, todos sabem que o Gustavo (Diretor de Carnaval da AS1), assim como ajuda diversas escolas, ajudo a minha no ano do campeonato o que claro, não é nenhuma surpresa pela questão dele ser meu noivo e incentivador a criar uma agremiação virtual. Quem manda na EVA sou eu! Quem pesquisa diariamente na Biblioteca Nacional somos Rafael e eu! Quem desenha, bola enredo, cria o carnaval num todo, é a equipe da escola! Todas as escolas recebem ajuda de diversas pessoas no Carnaval Virtual e, infelizmente, na EVA isto assentou devido ao desfile que fizemos e o título que conquistamos.
Naiara: Aproveito a deixa, inclusive, para prestigiar o meu carnavalesco que já é um belo nome do Carnaval Virtual e reconheço todo trabalho que realiza e, por que não, agradecer também aqueles que sempre nos ajudam, ajudaram e ajudarão sempre que um dia precisarmos de algum apoio.
Rafael: Eu só tenho a agradecer a confiança que a Naiara deposita em mim, sempre acreditando no meu trabalho e apostando nas minhas idéias.



Qual era o quadro de funcionários da escola na época?
Presidente: Naiara Duarte
Carnavalesco: Rafael Gonçalves
Interprete: Rafael Santos
Colaboração: Gustavo Martins e Sara Ferreira

Qual escola surpreendeu positivamente na competição?
Barra funda, o Lucas Vagner melhorou muito, e acho que vai surpreender novamente.

O que lhe surpreendeu negativamente na competição?
O que me surpreendeu negativamente foram as acusações e plágio.

Qual sua Fantasia favorita do Desfile?
Não como fantasia, mas como ala, “Olhos de Kahu'ê”, que tem um conjunto muito legal com o tripé “A Semente do Olhar” e o Destaque de Chão 1 “O Puratig e o Tuxaua-Geral” e ala "As Castanhas".



Qual sua Alegoria favorita do Desfile?
Carro 3 - A Origem da Humanidade - Os Filhos do Guaraná

Considerações finais:
Rafael: Nós estamos trabalhando com dedicação pra fazer um grande desfile em 2011 e vocês podem esperar uma EVA bem diferente do ano passado.
Naiara: A gente tá trabalhando bastante neste desfile de 2011. Esperamos que todos possam gostar e também aprender um pouco com esta história tão bonita e fascinante que a gente vem trazendo. A todos, meu muito obrigado!

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