sábado, 11 de dezembro de 2010

Postagem 002


Salve mundo do samba!

Hoje convido todos a uma reflexão importante sobre o Tempo.
Para os mais tradicionalistas, bom mesmo era o tempo da Praça Onze, da Presidente Vargas, de um carnaval mais simples, embalado por um clima romântico de bailes de máscaras no Municipal, batalhas de confete em salões de toda cidade. Marchinhas conduziam a brincadeira. É realmente uma época saudosa, até mesmo para quem não a viveu de verdade.
Para os mais modernos, é a era das “super escolas de samba S.A.” como já profetizava o Império Serrano. É inegável que as agremiações se tornaram verdadeiras empresas, cheias de funções administrativas, movimentando milhões de reais, cheias de tecnologia. A Sapucaí é mais que uma passarela de samba hoje. Elas cresceram. Muitas delas desenvolvem importantes trabalhos sociais em suas comunidades, e  muitas vezes, cumprem um papel que deveria ser do Estado de realizar benfeitorias.
O fato é que o tempo realizou profundas transformações em nossa festa. Ela se profissionalizou, ganhou status e mídia. Aquele tempo romântico da Praça Onze não volta mais. Mas o reconhecimento da festa como mais importante manifestação cultural da nossa identidade é um valor a ser comemorado.
Imagine que para que hoje possamos curtir com alegria nossa paixão carnavalesca, muitos de nossos antepassados apanharam da polícia. Mudanças profundas aconteceram, é verdade. Mas também é verdade que não podemos olhar com demérito para o presente, nem mesmo com descrença para o futuro. O mundo do samba cresceu, conquistou seu espaço, ganhou “Templo” e “Cidade”. Transcendeu os limites físicos e ganhou mundo, e agora é até virtual!
A cultura é um elemento dinâmico. Não é possível congelar o tempo. Ele é implacável em seu desejo de mover os homens às transformações. O que fazemos ainda é samba, e sempre será. O olhar para tradição é fundamental, para que saibamos quem somos e de onde viemos. Raízes firmes no terreiro do samba! Mas é papel das novas gerações também reinventar a festa sempre. E que bom que o carnaval possibilita criar e recriar!

Até a semana que vem.

Jorge Luiz Silveira.

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